por Fiona Harvey – The Guardian

O relatório World’s Forgotten Fishes (Peixes Esquecidos do Mundo, em tradução livre) lista a poluição, a pesca predatória e as mudanças climáticas como os principais perigos às espécies indicando que a população global de peixes de água doce estaria em risco de extinção.

Em mais um artigo da série Outros Rios, o InfoSãoFrancisco apresenta aos leitores considerações sobre o relatório Word’s Forgotten Fishes (Peixes Esquecidos do Mundo), organizado pelo WWF, que alerta sobre a extinção de considerável número de espécies da ictiofauna de água doce, um problema que também é verificado no rio São Francisco.


Os peixes de água doce estão ameaçados, com até um terço das populações globais em perigo de extinção, de acordo com uma avaliação recente (2021).

As populações de peixes migratórios de água doce despencaram 76% desde 1970, e os peixes [considerados] grandes – aqueles que pesam mais de 30 kg – foram praticamente exterminados na maioria dos rios. A população global de megapeixes (com peso acima de 30 kg) ??caiu 94% e 16 espécies de peixes de água doce foram declaradas extintas no ano passado.

O relatório The World’s Forgotten Fishes – produzido por 16 organizações de conservação global – estabelece que as populações globais de peixes de água doce estão em queda livre. Os problemas são diversos e incluem poluição, sobrepesca e práticas de pesca destrutivas, a introdução de espécies não nativas invasoras, mudanças climáticas e a perturbação das ecologias dos rios. A maioria dos rios do mundo agora está parcialmente represada, tem água extraída para irrigação ou tem seus fluxos naturais interrompidos, dificultando a vida dos peixes de água doce.

O mau estado dos rios do Reino Unido significa que poucos suportam tantos peixes quanto seria possível se eles estivessem melhor protegidos, de acordo com o WWF, um dos grupos por trás do relatório. Dados da Agência Ambiental (do Reino Unido) mostraram no ano passado que nenhum rio inglês atendia aos mais altos padrões químicos, e apenas 15% dos rios do Reino Unido foram classificados como tendo bom estado ecológico. Poluição agrícola e vazamento de esgoto estão entre as principais causas de danos.

Dave Tickner, principal conselheiro do WWF para água doce, explica: “Os habitats de água doce são alguns dos mais vibrantes do planeta, mas estão em declínio catastrófico. O Reino Unido não é exceção – a vida selvagem luta para sobreviver, quanto mais prosperar, em nossas águas poluídas. ”

O salmão, que passa parte de seu ciclo de vida em ecossistemas de água doce, está em forte declínio no Reino Unido desde a década de 1960, e a enguia europeia está seriamente ameaçada de extinção. O burbot (nota: nome sem tradução para o português) e o esturjão estão extintos nas águas do Reino Unido.

O The Guardian apresentou a extensão das descargas de esgoto nos rios no ano passado. As empresas de água despejaram esgoto em rios cerca de 200.000 vezes na Inglaterra em 2019.

O WWF apelou ao governo do Reino Unido para apoiar um plano de recuperação de emergência para rios e hidrovias como parte de sua biodiversidade e metas de recuperação da natureza mais amplas. Além disso, governos de todo o mundo estão se reunindo este ano para discutir a biodiversidade e impedir a destruição dos habitats naturais da Terra.

“Se quisermos levar a sério as promessas ambientais deste governo, ele deve agir em conjunto, limpar nossos rios e restaurar a saúde de nossos habitats de água doce”, disse Tickner. “Isso significa a aplicação adequada das leis existentes, fortalecendo as proteções no projeto de lei ambiental para colocar a natureza do Reino Unido no caminho da recuperação e defendendo um forte conjunto de metas globais para a recuperação da natureza, incluindo os rios.”

O relatório demonstra que a biodiversidade nos ecossistemas de água doce estava sendo perdida com o dobro da taxa de oceanos e florestas. Existem mais de 18.000 espécies de peixes de água doce conhecidas, e mais ainda estão sendo descobertas. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que elabora e mantém a lista vermelha global de espécies em perigo, avaliou mais de 10.000 espécies e descobriu que cerca de 30% corriam risco de extinção.

As 16 organizações envolvidas no relatório são: Alliance for Freshwater Life, Alliance for Inland Fisheries, Conservation International, Fisheries Conservation Foundation, Freshwaters Illustrated, Global Wildlife Conservation, InFish, a IUCN, a Sustainable Seafood Coalition, Mahseer Trust, Shoal, Synchronicity Earth, a Nature Conservancy, a World Fish Migration Foundation, o WWF e a Zoological Society of London.

Leia/descarregue o relatório Word’s Forgotten Fishes do WWF abaixo

Artigo publicado originalmente no The Guardian.

Tradução: Carlos E. Ribeiro Jr/InfoSãoFrancisco


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