A longa carreira: 101 km por um punhado de peixes

15 de março de 2021

|FOTO REPORTAGEM
por CARLOS E. RIBEIRO JR e DAIA FAUSTO | InfoSãoFrancisco

Com o fim dos peixes no Baixo São Francisco, pescadores buscam o chamado “peixe escondido” que estaria, na lendária Boca do Saco, no alto sertão, local outrora referência regional pela sua piscosidade.

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Com o fim das cheias naturais (e a negação, pelo setor elétrico em suprir o rio de água com vazões compatíveis e na época correspondente à da reprodução da ictiofauna) e a morte provocada das lagoas marginais, os ecossistemas aquáticos foram definitivamente afetados e o peixe definha.

Desde a imposição das vazões abaixo de 1.300 m³/s, em 2013 que pescadores buscam pelo peixe que, segundo uma lendária memória, estaria entocado nas pedras do sertão, “escondido” na parte mais profunda do rio, para resistir em derradeira tentativa de sobrevivência. Assim, é observada uma migração de atividades pesqueiras de zonas mais inferiores do Baixo São Francisco (os pescadores “da praia”, lá “de baixo”) que se deslocam para o sertão em busca de uma fictícia fartura que seria a salvação de seus ganhos.

Em nossa rotina de monitoramento dos impactos das vazões extremamente reduzidas a partir da UHE Xingó, tivemos a oportunidade do encontro com Seu José Raimundo Gomes, na Boca do Saco, abaixo de Entremontes.

Seu José Raimundo tem 54 anos,  é pescador do Munguengue, Traipu, distante cerca de 101 km da prainha onde fazia sua magra despesca.

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A Boca do Saco, onde tem início o difícil trecho com pedras que afloram, até Piranhas. Pela legendária tradição, o local é considerado, como um dos mais piscosos do Baixo São Francisco. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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Distante de seu lugar, de casa, solitariamente Seu José Raimundo Gomes, do Munguengue, tenta a sorte na Boca do Saco. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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“Sai de casa na quinta feira, e num dia de domingo tô aqui. Num tem peixe, só essa bagaceira que se agarra na rede…”. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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“e o pouco peixe que pega, é isso, pirambeba miúda, um cará boi miúdo… “. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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“esse lodo, lá pra baixo inda é pior, é uma tarde, pra limpar a rede… “. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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A infestação de vegetação macrófita exótica invasora e de algas verdes inviabilizando a vida aquática não é considerada pelos órgãos ambientais como um [grave] problema a ser  solucionado. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco 

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De rio acima, as pedras até Piranhas, onde estaria a sonhada fartura dos peixes entocados, “escondidos”. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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“é difícil, mas, fazer o que?”. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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Uma pirambeba miúda… Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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Outra pirambeba miúda, e assim vai: peixe pouco, suja pelas algas e vegetação invasoras. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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Vazões ínfimas, sem controle de despejo de efluentes, altas temperaturas, vegetação aquática invasora igualmente sem controle como base para fixação: a receita para a sopa de algas e todo o Baixo São Francisco. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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O esforço para tentar algum sucesso na pescaria é incompatível com o resultado em um rio que já foi dos mais ricos do Brasil. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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A água verde, quase negra, em alguns pontos, comprova a gravidade da situação: não está para peixe, nem para gente. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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“será que tem jeito esse rio, pra voltar ao que era? Tem, não… “. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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No presente há uma segura dominância de algumas poucas espécies que ainda resistem à desastrosa gestão do rio e a pirambeba é uma delas. E, ainda assim, em quantidade que declina. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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A bordo de seu pequeno barco, cuja precária conservação está relacionada com o pouco que levanta com a pesca, Seu José Raimundo Gomes também busca o “peixe escondido”. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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“se não aventurar alguma coisa, é pior “. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

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“na segunda-feira, ou terça-feira, se Deus quiser, eu puxo pra casa… “. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./InfoSãoFrancisco

Imagem em destaque – Uma moqueca rala de pirambebas e acará-bois: o peixe acabou. Foto: Carlos E. Ribeiro Jr | InfoSãoFrancisco


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