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Entrevista: Tatiana Pará – a educação com geotecnologias e o desafio da pandemia

 

por Antônio Laranjeira

Dando seguimento à uma série de conversas com especialistas em Geotecnologias, o InfoSãoFrancisco apresenta uma entrevista exclusiva com Tatiana Pará, professora e especialista em “Geoprocessamento”, que pensa na inclusão de meninas na área.

A nossa entrevistada é engenheira agrônoma especialista em geotecnologias. Professora EBTT efetiva do Instituto Federal do Pará – IFPA/Castanhal, das disciplinas das Geotecnologias. Responsável pelo Laboratório de Geoprocessamento e Agente de Inovação do campus Castanhal. Atuou na Gestão em Vice Coordenação do Curso Técnico de Meio Ambiente; Coordenadora da Secretaria Acadêmica e Coordenadora do Processo Seletivo Unificado 2020. Em atividade técnica exerceu o cargo de analista de Geotecnologia na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará – SEMAS, Técnica em mapeamento de risco na Coordenação de Defesa civil na SUDAM e elaborou projetos de ambientais como engenheira agrônoma. Na produção científica, atuou no grupo de pesquisa “Imageamento do Terreno” do Instituto Militar de Engenharia (IME), NUPECSA, CTIDRA, GECOOPES e CIMAA, além de compor diversos projetos de pesquisa e extensão que envolvem a temática de geoprocessamento e desenvolvimento regional. Também, na docência, foi professora temporária de Cartografia e Topografia na Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA no município de Belém e como Professora substituta de Geociências, também, na UFRA, no município de Capitão Poço-PA; Ainda, professora de Geociências e Estatística Aplicada no PARFOR/PA.

InfoSãoFranciscoHoje se fala muito na necessidade de reinvenção da educação. Existem muitas invenções tecnológicas que não inovam e sim imitam velhas metodologias. Como você vê a reinvenção nas geotecnologias?

Tatiana Pará – Antônio, você falou tudo, “ninguém inventa a roda”, mas atualmente no processo de inovação já se entende que inovar é tudo aquilo que muda o trajeto normal, o comodismo, o fluxo conservador de uma metodologia ou de um produto. Não tem como a gente inventar algo novo a todo o momento e para todo grupo, pois a criatividade depende de muitos fatores (escassos na educação pública).
A metodologia design think existe há muito tempo, mas passamos a usar em nosso projeto trazendo os problemas do mundo para a discussão e aplicando as ferramentas disponíveis naquele momento para alcançar um bom mapeamento e empoderamento da mulher. Isso não se fazia no meu campus, até eu “inovar”, então esse processo de mexer as estruturas, de motivar e de trocar o comum por algo que permita a curiosidade e engajamento de discentes, atualmente, na rede pública de ensino: é inovar.

Roseane teixeira, Maria Luana, Profa. Tatiana Pará, Hozana Silva, Deuzanira Mendes, Larissa Aragão e Layse Rocha. Foto: acervo Tatiana Pará.

ISF- Temos muita diversidade no seu estado e vemos também outras pessoas como você envolvidas com a realidade dos seus territórios. Como as instituições de Educação participam hoje dessa aproximação entre a Cultura e a Escola no Pará?

TP – O território é pauta de escolhas de projetos no ensino público, há vários projetos aqui no Pará e cada um com suas características regionais. É perceptível a busca de soluções das problemáticas do Pará através de projetos de extensão, pesquisa e inovação. E isso está mais forte com a presença de espaços ou ecossistemas de integração de apoio à inovação através da lei Nº 14.180/2021 que institui a partir desse ano a Política de Inovação Educação Conectada, que prioriza o envolvimento da cultura local na organização de pesquisas focais, voltadas para o que chamamos de arranjo local. Vou citar três: o primeiro é a Rede Enactus de empreendedorismo social traz a cultura  regional como aliada na solução de problemas por meio da Inovação. A UFPA é pioneira e a maior ganhadora de troféus, já o IFPA esteve, recentemente, na semifinal do torneio nacional ENEB; o segundo arranjo, existe há 11 anos  a região do Baixo Tocantins destaca o açaí na integração de inovação, educação e território; o terceiro exemplo de arranjo local, é no âmbito municipal da região insular de Belém, a escola Bosque teve uma aluna premiada na OBA.

ISF – Diante da pandemia diversas ações de Geoprocessamento foram necessárias para aproximar virtualmente as pessoas de lugares de interesse público. Na Educação Pública o impacto foi um dos maiores. Você vê com otimismo o mundo pós-pandemia na perspectiva da escolarização fora dos espaços convencionais como por exemplo os cursos livres online e móveis (MOOC)?

TP – Sem dúvida, mas ouso dizer que a consolidação de um ensino não convencional de sala de aula. Um que permite um café da tarde para uma leitura de artigo, uma ida à praia para geolocalizar estruturas naturais, um curso intensivo de elaboração de mapas por meio de redes sociais e boot de aplicativos e muito mais. Eu com certeza, e meu grupo de pesquisa CLIO estamos atentas a essa pós-pandemia e certas de usar novas modalidades de ensino para popularização das geotecnologias e da motivação de estudar em uma escola pública.


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Fontes

Tatiana Pará


Imagem em destaque: acervo Tatiana Pará

About the writer

Antonio Heleno Caldas Laranjeira

Jornalista pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Doutorando em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Professor de Geocomunicações pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IPBAD).