Postado emNotícias / Biodiversidade

RPPN Mato da Onça expande levantamento de biodiversidade remanescente no Baixo São Francisco

Integrando os protocolos estabelecidos em dezembro de 2020 – quando declarou estado de emergência climática – às ações definidas por seu Plano de Manejo, a Reserva Mato da Onça intensifica e expande o registro da fauna e flora ocorrentes no Baixo São Francisco para além dos limites da Unidade de Conservação.

Ao final de 2020 a RPPN Mato da Onça fez adesão ao SiBBR, o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira desenvolvido sob coordenação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com suporte técnico da ONU Meio Ambiente (UNEP) e apoio financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./INFOSÃOFRANCISCO.
Filhote de iguana (Iguana iguana).

Tendo como objetivo principal o acompanhamento da evolução das ocorrências de fauna e flora a partir do início das atividades de conservação na RPPN Mato da Onça, a atividade estava contemplada no escopo de seu Plano de Manejo.

Com a implantação da Unidade de Conservação em 2014, sendo adotadas medidas restritivas quanto ao uso do território da poligonal da mesma (leia-se a erradicação de caçadores e mateiros madeireiros, de animais de criação) associadas à intensivas ações de restauro das caatingas, o retorno da fauna foi intenso. Ocorrências de espécies como jaguatirica (Leopardus pardalis), onça-parda (Puma concolor), macaco-prego galego (Sapajus flavius), ausentes na região por mais de vinte anos, comprovaram a relevância de áreas protegidas na difícil conservação de espécies no ameaçado bioma caatinga.

Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./INFOSÃOFRANCISCO.
Macambiras na RPPN Mato da Onça, forma mini-ecossistemas indispensáveis à conservação da biodiversidade.

No entanto, com a convergência das diversas espécies para a UC sendo intensificada, as observações também começaram a ser realizadas externamente à poligonal. Essa estratégia possibilitou associar a existência da área segura na RPPN para os bichos às movimentações entre outros “pontos de menor risco de insegurança” que, de alguma forma ainda abrigam tais populações.

“Há muitos anos que fotografamos os animais e plantas em nossas atividades, dentro e fora da Reserva, mas agora, com a cooperação com o SiBBR, os registros estão sendo feitos nas planilhas estruturadas pelo sistema, o que é muito mais correto” diz Daiane Fausto dos Santos, gestora da RPPN Mato da Onça e responsável pela organização dos registros no SiBBR.

Voltando ao final de 2020, a RPPN Mato da Onça publica sua declaração de Estado de Emergência Climática, intensificando – dentro do possível, em meio à pandemia do novo coronavírus – as ações de restauro das caatingas e conservação da biodiversidade. No quesito conservação da biodiversidade, podemos observar – buscando em artigos científicos, levantamentos técnicos, relatórios – o quão pouco documentados quanto às espécies vivas são os diversos ecossistemas do Baixo São Francisco.

Foto: Carlos E. Ribeiro Jr./INFOSÃOFRANCISCO.
Equivocadamente, a caatinga não tem reconhecida sua rica biodiversidade de anfíbios.

Não são encontrados, também, mapas adequados com a distribuição das ocorrências das espécies (fauna e flora), sobretudo as que se encontram em maior vulnerabilidade. Infelizmente, com diz Carlos Eduardo Ribeiro, um dos gestores da RPPN, “com exceção de atividades de pesquisas pontuais, não temos uma história precisa, ampla, de bichos e plantas que existiram, que ainda existem ou não, em todo o Baixo São Francisco, o que dificulta o levantamento das perdas a serem contabilizadas pela ação humana na região”.

Sendo a crise climática um evento restritivo a todos os seres vivos, não apenas seres humanos, a iniciativa foi revista e integrada (ampliada) para todo o Baixo São Francisco. E, buscando estabelecer uma linha temporal para as ocorrências, inicialmente aquelas registradas pela Canoa de Tolda, estão sendo revistos os arquivos da entidade para o levantamento retroativo das observações in loco.

Além da integração dos registros de ocorrências à plataforma SiBBR, está prevista a elaboração de cartografia/linha do tempo com a inserção dos dados. Também ficou claro, pelo porte e urgência da empreita, que a mesma deve ser colaborativa e não limitada unicamente às ações da Canoa de Tolda que está convocando pessoas que tenham fotos com origem, localização e datação conhecidas, para contribuir com o projeto.


Veja também

Espécies das caatingas pãodeaçucarenses


Fontes

Canoa de Tolda – Sociedade Socioambiental do Baixo São Francisco