Lugar de fala e localização de falas no geojornalismo

3 de março de 2021

| GEOEDUCAÇÃO
REPORTAGEM ANTONIO LARANJEIRA

Cinco passos de uma reportagem em tempos de distanciamento social e uma proposta de trilha para pensar o Jornalismo de Educação e as Geotecnologias com foco na visibilidade de grupos socialmente minoritários.

 

O InfoSãoFrancisco foi um dos oito veículos de jornalismo selecionados pelo 2º Edital de Jornalismo de Educação em 2020. O premiado foi o jornalista, pesquisador e professor, Antônio Laranjeira que elaborou um relato final sobre os bastidores da produção da notícia em tempos de pandemia.

A reportagem “O local ensina o global”, publicada em 10 de fevereiro de 2021, investigou experiências em escolas urbanas e rurais relacionadas à inclusão e uso das tecnologias de comunicação geoespacial para o acesso à educação pública de qualidade em articulação com os conhecimentos locais.

A apuração primou pela liberdade criativa das textualidades em multimídias inerentes ao estilo discursivo do Geojornalismo. Organizamos um relato sistematizado desses “passos” (steps) para forma de uma “trilha” (track) para outros jornalistas e educadores.

O cruzamento de técnicas de representação de histórias a partir de métodos de captação de memória e visualização gráfica para fins didáticos envolveu a sensibilidade do repórter na reflexão sobre o processo de um jornalismo de profundidade que foi também alterado pela pandemia, exigindo um controle de mobilidade ainda no primeiro trimestre de 2021.

Passo 1: Pergunte ao bigdata

Para uma apuração de casos em evidencia na mídia relacionando “Geotecnologias” e “Educação” foi realizada com base na pesquisa na plataforma AlsoAsked.com sobre principais questões envolvendo buscas na Internet sobre a palavra-chave da reportagem. Os resultados da trama de questões que se abrem, indicados visualmente, demonstraram as duas maiores tendências do interesse público que moldaram a pauta:

Imagens do autor – Reprodução

Passo 2: Aproxime-se das fontes

Para realização remota da reportagem, o jornalista propôs criar um grupo com as fontes no Whatsapp e envolver pessoas que estavam afastadas pela pandemia e o fechamento das escolas decorrente.

Na abordagem, houve uma apresentação da questão que cada um devia responder com um áudio de tempo livre e linguagem audível para todos os públicos.

Imagens do autor – Reprodução

Passo 3: Reflita sobre sua localização

Após a coleta de entrevista algumas transcrições foram realizadas e de modo transversal foram realizadas reflexões do jornalista, professor e pesquisador autor da reportagem, marcas que ficam expressas no conteúdo e provocam o leitor a refletir em seu local e sua localização no mundo em relação ao saber social compartilhado.

Passo 4: Cruze as mídias na redação

Os áudios do Whatsapp foram adotados pela maioria dos professores e estudantes. O atributo dos áudios levou o repórter a pensar como seria ter ido até as fontes, ouvido suas vozes (materialmente).

Imagens do autor – Reprodução

As velhas formas do viver, antes da pandemia e até mesmo antes do smartphone, nos fazem pensar sobre as novas mídias.

Foi assim que surgiu a ideia de incrementar a reportagem. Elaborou-se então um mapa, com a ferramenta gratuita Google My Maps, de depoimentos, os áudios arquivados na plataforma livre Archive.org, que contém a expressão de memória dos estudantes e professores sobre suas práticas e seus sentimentos em relação a seus projetos.

Este mesmo recurso técnico foi utilizado para uma audiodescrição do texto com links inseridos no início e fim da publicação, o que permite a inclusão de ainda mais pessoas no acesso ao conteúdo da reportagem.

Imagens do autor – Reprodução

Passo 5: Pense artisticamente o texto

Conversas virtuais com o artista visual, Adriano Chuva, de São Paulo, responsável pelas ilustrações da reportagem, permitiram um processo criativo mais coletivizado e inspirado na pesquisa e nas práticas artística com a Cartografia que o artista vem desenvolvendo há alguns anos.

As ilustrações, com referência nas fotografias dos projetos Quebrada Maps e Meninas da Geo, foram encomendadas para esta reportagem com objetivo estético de transgressão em relação à fotografia e ilustração, mídias comuns no Jornalismo de Educação, além oferecer uma oportunidade de trabalho para um artista visual de poética extremamente íntima do tema da pauta.

Veja o vídeo onde é contada a história do fazer a história

Antonio Laranjeira

Jornalista pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Doutorando em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Professor de Geocomunicações pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IPBAD).

Esta reportagem foi realizada com apoio do 2º Edital de Jornalismo de Educação (Jeduca/Itaú Social)

Fontes

Jeduca

Imagem em destaque – Mapa de Acolhimento – Reprodução Quebrada Maps


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