Vazão de 1.800 m³/s no Baixo a partir de hoje: determinação do ONS

30 de junho de 2020

BAIXO SÃO FRANCISCO | OPERAÇÕES DE BARRAMENTOS
REDAÇÃO 

Com mais máquinas trabalhando em Xingó, energia para lá, impactos para cá: uma conta negativa de passivo socioambiental que não para de crescer

Foi divulgada hoje, pela CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, a Carta Circular SOO-028/2020, de 30/06/2020 com novo modelo de operações para as UHEs Sobradinho e Xingó a partir de determinação do ONS – Operador Nacional do Sistema, de modo a atender ao SIN – Sistema Interligado Nacional.

Para o Baixo São Francisco, significa vazões da ordem de 1.800 m³/s (hum mil e oitocentos metros cúbicos por segundo), defluência da UHE Xingó que, na prática, já vinha sendo adotada desde o dia 26, e tendo chegado a 2.200 m³/s (dois mil e duzentos metros cúbicos por segundo) segundo dados obtidos no site da própria CHESF.

Veja as imagens das tabelas

Gráfico com vazões no dia 26 de junho. CHESF (acesso em 30/06/2020)

Gráfico com vazões no dia 29 de junho. CHESF (acesso em 30/06/2020)

 

 

 

Acervo CanoaDocs. CHESF

Acervo CanoaDocs. Via CHESF

No mapa, a região afetada pelas operações da UHE Xingó, entre Piranhas e a foz do São Francisco, nos municípios de Piaçabuçu, AL e Brejo Grande, SE.

static Mapbox map of the San Francisco bay area

Nota da redação:

Na Carta Circular apresentada acima que a CHESF menciona: 

“podem ocorrer, com maior frequência, variações devidas ao próprio comportamento natural do rio, como também, em função de ocorrências ligadas à operação dos reservatórios com vistas ao uso múltiplo da água, para atendimento a questões tais como: navegação, necessidades ambientais, contingências no SIN, dentre outras situações.”

Observemos que, acompanhando os gráficos disponíveis na ANA – Agência Nacional de Águas, com as vazões desde Três Marias em declínio gradativo (estamos no período SECO, da tradicional estiagem, quando o São Francisco livre tinha a volta das águas para seu leito, as vazões baixavam, deixando a planície de inundação, as lagoas marginais e várzeas alagadas das cheias do verão, onde a biodiversidade e atividades agrícolas de plantios tinham sua fase de gestação), portanto, com o citado “comportamento natural” – se é possível um rio regularizado que chega apenas à sua foz por alguma determinação dos operadores do sistema de barramentos – seria alguma analogia à um incremento por alguma razão que não as operações de barramentos?

Ao citar usos múltiplos das águas e necessidades ambientais, lamentavelmente, no primeiro caso, o quadro de problemas de acesso à água de qualidade por parte de populações difusas sem sistemas de abastecimento e/ou tratamento já é público e notório e diretamente relacionado às vazões até então mantidas abaixo do aceitável, desde 2013 (vide a Ação Civil Pública em razão das algas e invasão de vegetação invasora aquática exótica).

Quanto às necessidades ambientais, o quadro de degradação visível a olho nu em todo o Baixo São Francisco, do sertão até a foz e sua zona costeira fala por si e é o resultado terrível de operações de barramentos que nunca contemplaram, de fato, o patrimônio natural. O fato de termos aumento de vazão em época não compatível com os ciclos naturais do rio, portanto incompatível com os ecossistemas aquáticos (que requerem água em quantidade na época das cheias – entre outubro/novembro e março/abril) mantém um modelo que inverteu, e há anos, o hidrograma do São Francisco a jusante de Sobradinho. É um desastre que não é amainado pelos inadequadamente qualificados “atendimentos às necessidades ambientais”.

Fontes
CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco

 

◊ Imagem em destaque – A foz do São Francisco. Carlos E. Ribeiro Junior | Canoa de Tolda/InfoSãoFrancisco


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